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A Mulher Advogada: Entre a Justiça, a Família e o Direito de Também Cuidar de Si

Cuidar de tantos que, algumas vezes, se esquecem de cuidar de si próprias — uma reflexão sobre a exaustão silenciosa da mulher na advocacia.

Por Redação Acima da Lei em

A advocacia é uma profissão exigente. Exige estudo permanente, responsabilidade, prazos, audiências, diligências, reuniões, leitura de processos e, não raras vezes, longas horas de trabalho que ultrapassam os limites do escritório. Para muitas mulheres advogadas, porém, o fim do expediente profissional não significa necessariamente o fim das responsabilidades do dia.

Depois de defender interesses, preparar peças processuais, comparecer aos Tribunais e enfrentar as exigências próprias da profissão, muitas regressam a casa para assumir outra dimensão igualmente importante das suas vidas: ser mães, esposas, filhas, irmãs e pilares das suas famílias.

É verdade que cuidar dos filhos, da casa e da família é uma responsabilidade que pode e deve ser partilhada entre homens e mulheres. A parentalidade e a construção de uma família equilibrada não pertencem exclusivamente à mulher.

Todavia, há algo profundamente humano na forma como muitas mulheres vivem simultaneamente essas diferentes responsabilidades. Algumas tornam-se o ponto de encontro das necessidades de todos: preocupam-se com os filhos, acompanham a família, trabalham, resolvem problemas profissionais e, silenciosamente, continuam disponíveis quando alguém precisa delas.

Cuidam de tantos que, algumas vezes, acabam esquecendo-se de cuidar de si próprias.

É precisamente aqui que surge uma realidade que merece reflexão: a exaustão da mulher profissional.

A advogada pode ser brilhante no Tribunal, firme numa negociação e tecnicamente preparada diante de um processo complexo, mas continua a ser um ser humano. Por detrás da toga, do fato formal, dos códigos, dos processos e da aparente segurança existe uma pessoa que também sente cansaço, preocupação e necessidade de repousar.

Nenhuma profissional deve precisar de chegar ao limite físico ou emocional para que o seu esforço seja reconhecido.

Por isso, valorizar a mulher na advocacia não significa apenas celebrar as suas conquistas profissionais. Significa igualmente compreender que o sucesso não deve ser medido pela quantidade de sacrifícios silenciosos que consegue suportar.

A família tem aqui um papel fundamental. Quando as responsabilidades são verdadeiramente partilhadas, cuidar deixa de ser um peso individual e passa a ser uma expressão colectiva de amor, respeito e companheirismo.

Talvez uma das maiores demonstrações de respeito que podemos oferecer às mulheres que fazem parte das nossas famílias, escritórios e instituições seja perguntar-lhes, de vez em quando:

"Depois de cuidares de todos, quem está a cuidar de ti?"

A advocacia precisa de profissionais competentes. A sociedade precisa de famílias presentes. Mas ambas precisam, antes de tudo, de mulheres saudáveis, respeitadas, valorizadas e conscientes de que também possuem o direito de parar, respirar e cuidar de si próprias.

Porque ser forte não significa nunca se cansar.

Às vezes, a verdadeira força está em reconhecer que até quem cuida de todos também merece ser cuidado.

Redação Acima da Lei Equipa editorial de Acima da Lei.

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