Advogado, Quer Mais Dígitos na Sua Conta? Talvez Não Precise de Networking Pago Nem de Viver na Internet
A filosofia de Randi Cohen mostra que uma advocacia lucrativa pode começar não com milhares de contactos, mas com algo que o dinheiro dificilmente compra: confiança, competência e relações humanas genuínas.
Por Dr. HD em
Há advogados que acreditam que, para crescer profissional e financeiramente, precisam estar em todos os congressos, pagar eventos caros, aparecer constantemente nas redes sociais, distribuir cartões e conhecer pessoas influentes.
Mas talvez estejamos a complicar aquilo que pode ser mais simples.
E se o caminho para colocar mais dígitos na conta de um advogado não começar pelo número de pessoas que ele conhece, mas pelo número de pessoas que confiam nele?
A experiência da advogada Randi Cohen, litigante na área laboral e de emprego na Kalmanson Cohen PLLC, merece atenção. Num artigo publicado no Above the Law, em 24 de Setembro de 2026, Steve Fretzin relata como Cohen, depois de quase duas décadas de experiência, construiu uma prática jurídica de sete dígitos sem sequer se considerar alguém orientado para o networking tradicional. A sua abordagem baseou-se, sobretudo, em conhecer genuinamente as pessoas, compreender aquilo de que necessitam e liderar com generosidade.
Pare de procurar pessoas importantes. Torne-se importante para as pessoas
Muitos advogados perguntam:
“Quem preciso conhecer para crescer?”
Talvez a pergunta mais útil seja:
“Para quem posso tornar-me profissionalmente indispensável?”
Imagine um Director de Recursos Humanos que, perante um conflito laboral complexo, pensa imediatamente no seu nome. Ou um empresário que, antes de assinar determinado contrato, diz: “Primeiro quero ouvir o meu advogado.”
Nesse momento, conquistou algo que nenhum cartão de visita consegue garantir: um espaço na memória profissional do cliente.
O advogado verdadeiramente bem posicionado não é necessariamente aquele que conhece todas as pessoas importantes. É aquele cujo nome as pessoas certas recordam quando surge um problema importante.
Pode ter mil contactos no WhatsApp e nenhum deles lhe confiar um processo relevante. Entretanto, dez ou vinte pessoas que conheçam profundamente a qualidade do seu trabalho podem ser profissionalmente muito mais valiosas.
A pergunta deixa, portanto, de ser “Quantas pessoas conheço?” e passa a ser:
“Quantas pessoas confiam suficientemente em mim para dizerem o meu nome quando eu não estiver presente?”
É aí que a reputação começa a trabalhar por si.
O adversário de hoje pode recomendar o seu nome amanhã
Uma das passagens mais interessantes da história de Randi Cohen envolve justamente uma adversária que tentou intimidar a sua equipa. Cohen e os colegas mantiveram-se firmes. O mais surpreendente veio depois: aquela adversária acabou por se tornar uma fonte de referências de clientes.
Esta experiência contém uma grande lição para a advocacia angolana.
O advogado da contraparte não precisa transformar-se no nosso inimigo pessoal.
Podemos combater uma tese jurídica com firmeza e, simultaneamente, respeitar profundamente o colega que se encontra do outro lado.
Não destrua uma possível relação de dez anos por causa de um processo de seis meses.
Estamos constantemente a construir a nossa reputação, mesmo quando não estamos conscientemente à procura de clientes. A forma como escrevemos, argumentamos, cumprimos prazos, tratamos funcionários, recebemos pequenos clientes, respeitamos colegas e até a forma como nos comportamos quando perdemos comunicam quem somos profissionalmente.
Pare de tentar impressionar. Comece a escutar
Quando alguns advogados conhecem um potencial cliente, querem imediatamente demonstrar tudo o que sabem.
Falam dos processos que ganharam, das formações, dos títulos e da experiência.

Foto: Ninthgrid / Unsplash
Talvez o melhor advogado de negócios seja também aquele que sabe calar-se e fazer boas perguntas:
Qual é actualmente o maior problema da sua empresa?
Que conflitos jurídicos mais vos preocupam?
Que problema gostaria de prevenir antes de chegar ao tribunal?
É neste momento que o potencial cliente começa a revelar as suas verdadeiras necessidades.
E a necessidade é precisamente o ponto onde competência jurídica encontra oportunidade profissional.
A filosofia relatada por Steve Fretzin sobre Cohen segue essa lógica: conhecer clientes e até adversários, ouvir aquilo de que realmente necessitam e começar pela generosidade.
O advogado que conhece apenas a lei pode resolver um processo. Mas aquele que conhece a lei, o cliente e o negócio do cliente consegue tornar-se muito mais do que o advogado de um processo: pode transformar-se no advogado de confiança daquela pessoa ou empresa.
Quer mais dígitos? Aumente primeiro o seu valor profissional
Naturalmente, ninguém deve interpretar o caso de Randi Cohen como uma fórmula para ficar milionário. A realidade norte-americana não é igual à realidade angolana, e nenhuma estratégia séria pode garantir sete dígitos.
Mas existe uma filosofia que podemos aproveitar.
Se pretende aumentar os seus rendimentos, talvez a resposta não seja apenas trabalhar mais horas. O dia continuará a ter 24 horas.
Pergunte antes:
“Que problema jurídico relevante consigo aprender a resolver excepcionalmente bem?”
O advogado deve perseguir competência, especialização, excelência, confiança e reputação. O crescimento financeiro deve surgir como consequência do valor legítimo que consegue criar para os seus clientes.
E isso é particularmente importante para jovens advogados angolanos que talvez não tenham dinheiro para frequentar grandes eventos, pagar networking ou investir fortemente na sua presença digital.
Pode não ter dinheiro para tudo isso.
Mas pode estudar mais.
Pode ouvir melhor.
Pode escrever melhor.
Pode cumprir prazos.
Pode responder com educação.
Pode respeitar colegas e adversários.
Pode tratar o pequeno cliente com a mesma dignidade que daria ao grande empresário.
Pode cumprir a palavra dada.
Pode tornar-se excelente numa determinada área.
Pode construir um nome lentamente.
Isso não exige milhares de dólares.
Exige algo talvez ainda mais valioso: tempo, carácter, disciplina, competência e consistência.
Conclusão: pare de caçar clientes e comece a construir um nome
Talvez o verdadeiro luxo profissional de um advogado não seja possuir milhares de contactos.
É chegar ao ponto em que a sua reputação começa a fazer apresentações por si.
Quando alguém pergunta “Conheces um bom advogado para tratar deste assunto?” e outra pessoa responde com o seu nome, mesmo sem você estar presente, construiu algo poderoso.

Foto: Nigel Msipa / Unsplash
Por isso, se pretende colocar mais dígitos na sua conta profissional, talvez não deva começar procurando pessoas ricas ou poderosas.
Enriqueça primeiro o seu valor profissional.
Não pergunte apenas:
“Quem preciso conhecer?”
Pergunte:
“Quem confia em mim?”
Não pergunte apenas:
“Onde está o meu próximo cliente?”
Pergunte:
“Que tipo de advogado preciso tornar-me para que os bons clientes se lembrem de mim?”
A lição que podemos retirar da experiência de Randi Cohen é profundamente humana: não precisamos conhecer toda a gente. Precisamos fazer com que as pessoas certas conheçam o nosso carácter, reconheçam a nossa competência e confiem no nosso nome.
A confiança gera reputação.
A reputação gera recomendações.
As recomendações geram oportunidades.
E oportunidades bem aproveitadas podem gerar mais dígitos na conta.
Seja bom. Seja útil. Seja genuíno. Seja lembrado.
Porque a melhor reputação é aquela que fala por si quando você não está na sala.
Dr. HD
Jurista
Fonte de inspiração: Steve Fretzin, “How One Lawyer Built A 7-Figure Practice Without A ‘Networking’ Mindset”, publicado no Above the Law, em 24 de Setembro de 2026. USA
Foto de capa: Ninthgrid / Unsplash
Dr. HD Jurista e Promotor da Inovação Jurídica.
Tópicos: Internacional




