Os Clientes Desapareceram dos Escritórios de Advogados?
O cliente não desapareceu. Mudou de endereço.
Por Dr. HD em
Houve um tempo em que procurar um advogado significava necessariamente deslocar-se ao escritório, enfrentar o trânsito, aguardar pela reunião e sentar-se frente a frente com o profissional.
Hoje, a advocacia está a mudar.
O e-mail, o telefone, as videoconferências e as plataformas digitais reduziram distâncias e transformaram a relação entre advogado e cliente. A pandemia da Covid-19 não criou essa realidade. Apenas acelerou uma transformação que já estava em curso.
O cliente não desapareceu do escritório. Tornou-se também digital.
Naturalmente, o escritório físico continua a ser importante. Existem assuntos que exigem reuniões presenciais, análise documental, confidencialidade acrescida ou simplesmente o contacto humano que nenhuma tecnologia consegue substituir.

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Mas a questão já não é escolher entre o físico e o digital. É saber utilizar correctamente os dois.
Pensemos num cliente que gasta 30 minutos para chegar ao escritório e outros 30 para regressar. Uma reunião de poucos minutos pode consumir mais de uma hora do seu dia. Em determinadas situações, uma chamada ou videoconferência pode resolver a mesma necessidade com maior rapidez.

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E aqui surge uma questão importante para a advocacia angolana:
Se o cliente mudou, estará o nosso escritório preparado para mudar também?
Um escritório moderno já não pode depender exclusivamente da sua porta física. Precisa igualmente de uma porta digital: e-mail profissional, website actualizado, contactos acessíveis e presença responsável nos canais digitais.
As redes sociais também podem aproximar o advogado da sociedade, desde que utilizadas com ética, responsabilidade e respeito pelas regras da profissão. Partilhar conhecimento jurídico, esclarecer questões de interesse público e tornar o Direito mais compreensível pode fortalecer a relação entre advocacia e cidadãos.
Isto não significa substituir a relação humana pela tecnologia.
Significa utilizar a tecnologia para eliminar distâncias, melhorar a comunicação e reservar o encontro presencial para os momentos em que verdadeiramente acrescenta valor.
Por isso, talvez devamos deixar de perguntar:
“Por que razão os clientes já não vêm tanto ao nosso escritório?”
E começar a perguntar:
“O nosso escritório consegue chegar ao cliente sem que o cliente tenha necessariamente de vir até nós?”
Esta reflexão é particularmente importante para jovens advogados e estudantes de Direito. A advocacia continuará a exigir conhecimento, ética, confiança, independência e competência. Mas o advogado moderno terá igualmente de compreender como a sociedade comunica e procura serviços.
Hoje, o escritório já não termina na porta da sala onde o advogado trabalha.
Está também no telefone, no e-mail, numa videoconferência e nos canais digitais através dos quais o advogado consegue estar próximo de quem necessita dos seus serviços.
O cliente não desapareceu. Mudou de endereço. E parte desse endereço é, agora, digital.
Dr. HD
Jurista
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Dr. HD Jurista e Promotor da Inovação Jurídica.


